Uma venda só termina quando o dinheiro entra

Uma empresa vende R$ 100 mil com margem de 10%.

Em condições normais, aquela operação gera R$ 10 mil de resultado.

Agora imagine que R$ 10 mil dessa venda não sejam recebidos.

Para recuperar o valor perdido mantendo a mesma margem de 10%, não basta fazer outra venda de R$ 10 mil.

Será necessário gerar R$ 100 mil em novas vendas para produzir R$ 10 mil de margem.

É por isso que inadimplência não é apenas um problema do contas a receber.

É um problema de rentabilidade, caixa e crescimento.

Vender para quem não paga pode destruir valor

Quando a inadimplência cresce, a empresa continua tendo compromissos.

Salários, fornecedores, impostos e despesas operacionais não aguardam o cliente pagar.

A consequência é previsível: a empresa começa a financiar com capital próprio — ou com crédito bancário — aquilo que o cliente deveria ter financiado.

E há um segundo efeito, menos visível: o custo de oportunidade.

O dinheiro que não entrou poderia financiar estoque, expansão, tecnologia, redução de dívida ou distribuição aos sócios.

A prevenção começa antes da cobrança

Uma política eficiente de crédito e cobrança não começa quando o título vence.

Começa na venda.

Análise de crédito, definição de limites, condições comerciais coerentes com o risco, acompanhamento dos atrasos e uma régua clara de cobrança são instrumentos de gestão.

Também é importante acompanhar a inadimplência por cliente, faixa de atraso e percentual da receita.

Porque existe uma diferença enorme entre ter 3% da carteira atrasada há cinco dias e os mesmos 3% atrasados há seis meses.

Em ambientes financeiros mais restritivos, esse acompanhamento ganha ainda mais importância.

A venda pode acontecer no momento em que o contrato é fechado.

Financeiramente, porém, ela só cumpre seu papel quando se transforma em caixa.

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