O pagamento parecia legítimo. O dinheiro foi para outra conta.

O boleto chegou por e-mail. O fornecedor era conhecido. O valor estava dentro do esperado. O financeiro efetuou o pagamento.

Dias depois, veio a cobrança: a dívida continuava em aberto.

O documento havia sido fraudado.

Golpes financeiros estão cada vez menos associados a mensagens grosseiras e erros evidentes. Muitas fraudes funcionam justamente porque reproduzem situações absolutamente normais da rotina empresarial.

O Banco Central orienta que, antes do pagamento de um boleto, sejam conferidos o beneficiário e os dados apresentados pelo banco. Essa pequena verificação pode separar um pagamento legítimo de um prejuízo difícil de recuperar.

Mas segurança financeira empresarial não deveria depender apenas da atenção de uma pessoa.

Bons controles partem de uma premissa simples

Quem solicita não deveria necessariamente ser quem aprova. E quem aprova precisa saber exatamente o que está aprovando.

É daí que surgem mecanismos como:

  • dupla aprovação para determinados valores;

  • limites de alçada;

  • segregação entre cadastro, lançamento e autorização;

  • confirmação de alterações bancárias de fornecedores por um segundo canal;

  • conciliação periódica dos pagamentos;

  • revisão dos acessos bancários e permissões dos usuários.

Imagine que um fornecedor envie uma mensagem informando a troca de sua conta bancária.

Em uma empresa sem procedimento, alguém altera o cadastro e realiza o pagamento.

Em uma empresa com controle, a alteração exige confirmação utilizando um contato já conhecido — e não simplesmente o telefone informado na própria mensagem.

A diferença pode parecer burocracia até o dia em que evita uma transferência de R$ 100 mil para a conta errada.

Controle não significa desconfiança

Existe uma resistência comum à implantação desses processos porque empresas menores funcionam, muitas vezes, baseadas em relações de confiança.

Mas controles internos não existem porque se desconfia das pessoas.

Eles existem porque pessoas erram, sistemas podem ser invadidos, documentos podem ser adulterados e criminosos exploram justamente rotinas previsíveis.

O melhor controle é aquele que reduz o risco sem paralisar a operação.

Quando uma empresa cresce, seus processos financeiros precisam crescer junto com ela.

Porque, no ambiente digital, aprovar um pagamento deixou de ser apenas uma tarefa financeira. Tornou-se também uma decisão de segurança.

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